O grupo Solongo, o qual, praticando a agricultura no interior, apresenta a mutação de pescadores na faixa litoral. A antiga designação de Ilha das Cabras para a Ilha de Luanda (por se verem muitos daqueles animais), não abonará também a tese de agrocultores para os ancestres dos Muxiluandas?
Atentando naquele exemplo dos Solongos e no facto dum fundo cultural de plantadores para os muxiluandos, a tendência seria de admitirmos a sua relação de origem com os povos congueses.
Esta possibilidade não constitui ideia nova, pois, Capelo e Ivens na pág. 75, do Tomo I da sua obra De Angola à Contra-Costa, falando da Ilha de Luanda, expressam-se deste modo: "Os habitantes da referida ilha são os muxi-luandas, aristocráticos e directos descendentes dos Mani-Congo..."
Não faltam registos onde os nomes dos Ngolas, e até, pessialmente, da Rainha Jinga, se encontram ligados aos habitantes da Ilha, facto que devemos simplificar, reduzindo-o ao fundo geral do povo Kimbundu.
É evidente que a antropologia somática poderia tomar uma importante intervenção neste deslinde. Como, porém, em África, a etnologia se vê forçada a suprir constantemente aquela ciência, pela conjugação dos elementos disponíveis, comcluiremos deste modo:
Que a Ilha de Luanda desde épocas remotas teve como últimos povoadores povos Bantos.
Que a partir da época que situaremos uns seis séculos atrás, começou a ser dominada por Bantos Conguenses. Que esses Conguenses seriam, muito provavelmente do tribo muxicongo.
Que no decurso do tempo se lhe juntaram elementos quimbundos, e chegaram aos nossos dias mantendo uma relativa unidade e um carácter étnico mais ou menos estável, sobe a designação de muxiluandos.
Admita-se portanto, até melhor prova, que as populações tradicionais da Ilha de Luanda serão oriundas da tribo muxicongo, mesclada de sangue quimbundo no decurso do tempo.
Fevereiro de 1969 |